Um entregador por aplicativo, de 24 anos, foi baleado duas vezes por um sargento da Polícia Militar do Ceará na noite do último domingo (28), durante um desentendimento em via pública no bairro Papicu, em Fortaleza. O caso, registrado por câmeras de segurança, ganhou repercussão nacional após a vítima relatar que o policial teria ordenado que ela corresse antes de efetuar os disparos.
Segundo o entregador, que preferiu não ter a identidade divulgada, ele havia estacionado a motocicleta em frente a um condomínio para realizar uma entrega quando foi abordado pelo sargento Leandro Silva Fontoura, que estava de folga e passeava com um cachorro. O militar teria sacado a arma ao suspeitar de uma tentativa de assalto.
A vítima afirmou que retirou o capacete, se identificou como entregador e explicou que apenas faria a entrega de uma encomenda. Mesmo após o esclarecimento, o policial teria permanecido exaltado e continuado a abordagem de forma agressiva.
Ainda conforme o relato, quando caminhava em direção ao interfone para avisar o cliente, o sargento voltou a abordá-lo. Em seguida, teria mandado que ele corresse e efetuado dois disparos.
Mesmo ferido, o entregador conseguiu subir na motocicleta e percorrer alguns metros até encontrar apoio de outros motociclistas, que acionaram equipes de resgate e da Polícia Militar.
A vítima foi socorrida e encaminhada ao Instituto Doutor José Frota (IJF). Um dos tiros atingiu a região do tórax, mas o projétil não ficou alojado no corpo. Após atendimento médico, o entregador recebeu alta hospitalar na manhã de segunda-feira (29).
Após os disparos, o sargento retornou ao condomínio onde mora e permaneceu em seu apartamento. O caso mobilizou dezenas de entregadores por aplicativo, que realizaram um protesto em frente ao edifício pedindo justiça. A manifestação foi encerrada após a chegada de equipes da Polícia Militar, que prenderam o policial em flagrante.
Na segunda-feira (29), durante audiência de custódia, a Justiça do Ceará converteu a prisão em flagrante de Leandro Silva Fontoura em prisão preventiva. Ele permanecerá preso enquanto o caso é investigado.
Em nota, a Polícia Militar do Ceará informou que o sargento já estava afastado das atividades da corporação para tratamento de problemas de saúde e classificou inicialmente o episódio como um “desentendimento em via pública”.
Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do militar. Dependendo da conclusão das investigações, o policial poderá ser expulso da corporação.
“Tem algo a denunciar? Salve o número e envie sua mensagem para o canal de denúncias do FalaFabioCosta pelo WhatsApp: (66) 99678-4719. Seu sigilo será garantido.












